Nuno Casquinha à Conversa com o “Pátio de Quadrilhas”



Foi no dia 5 Fevereiro do ano de 1986 em Lisboa que nasceu Nuno Casquinha o matador de toiros Português com alternativa desde 29 Maio de 2011 concedida na praça de toiros de Villa Nueva Del Fresno por Javier Solís (Padrinho) e Julio Parejo (testemunha).





P. Q. - Perguntamos a Nuno Casquinha qual o balanço que faz da presente temporada (2011) ano em que tirou também a sua alternativa.
N. C. – Disse-nos que em termos qualitativos é francamente positivo, embora ainda haja muita coisa a corrigir e a melhorar. Nos tempos que correm é cada vez mais complicado, difícil e ainda mais sendo Português onde não há muita tradição do toureio a pé, o que para mim é ainda um maior motivo de orgulho pois acabei por sair em ombros em duas ou três corridas onde actuei.

P. Q. – Não será isso um pouco frustrante quando se trabalha e não se vê o reconhecimento devido na própria terra (Portugal) por causa dos regulamentos e das poucas oportunidades que vão aparecendo por parte dos empresários, que apostam mais no espectáculo com toureio a cavalo.
N. C. – Sem dúvida que se torna frustrante, porque se nem no nosso próprio País temos oportunidades que é onde devemos mostrar o nosso valor como podemos ir lá para fora dignificar o nome de Portugal. Então onde poderemos telas?
Mas para mim o mais preocupante não é só a falta de oportunidades, mas sim o ambiente hostil que se tem vindo a criar ao longo dos anos até hoje para com aqueles que jogam a suas vidas á frente dos toiros, ou seja falta de respeito para com os mesmos sendo um pouco os parentes pobres da festa brava.

P. Q. – Mas ao saber essas dificuldades todas onde vai buscar a motivação para treinar todos os dias e poder mostrar em praça todo o seu valor e raça e transforma-lo em triunfos?
N.C. – O toureio para mim não é uma profissão, é uma forma de vida. Todos os momentos menos bons que temos, são mais do que compensados quando estamos bem (a gosto) com um toiro ou uma vaca e não nos lembramos de mais nada nem de ninguém, nem dos problemas porque deixam de existir nem que seja pelo tempo que estamos á frente do toiro e o êxtase é ver uma praça cheia de pé a aplaudir-me como aconteceu em Vila Franca Xira na feira do colete encarnado, são dos tais momentos únicos que nos enchem o ego pois não têm preço.

P.Q. - Isso quer dizer que esperas tourear mais em Portugal e por consequência ir mais vezes além fronteiras.
N.C. – Sim, sem dúvida que é um dos maiores objectivos que tenho para próxima temporada, Aumentar o numero de corridas e de triunfos pois é disso que nós toureiros vivemos do mais e melhor ou seja com qualidade. Isto sabendo que as coisas não estão fáceis mas vamos lutar para mudar as coisas e alcançar os nossos objectivos.

P. Q. – O que gostava que muda-se na nossa festa brava.
N.C. – Sinceramente penso que se devia apostar mais em corridas mistas, e que as ganadarias criem as condições para que durante as lides os toiros possam proporcionar o triunfo sabendo que os toiros são como os melões só depois de abertos e que sabemos como são. E quanto á corridas a pé em Portugal á sempre a tendência de se comparar os matadores portugueses com os espanhóis pois não se pode comparar pelo simples facto de se viver um ambiente propicio ao toureio a pé e os matadores lidarem 3 ou 4 vezes mais que os portugueses e as ganadarias darem mais garantias de sucesso.


Agradecemos o tempo disponibilizado para nos responder às perguntas, ao Nuno Casquinha desejamos as maiores das sortes para a próxima temporada.

Entrevista – Carlos Caetano

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