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19 de junho de 2017

DN - Paulo Jorge Ferreira "Temos de ir para onde nos querem e onde nos sentimos úteis"

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Jovem cavaleiro tauromáquico fez carreira na Califórnia, é responsável por uma coudelaria e fala sobre como conciliar o sucesso na América com a saudade de casa

Antes de mais, um esclarecimento. Não leu mal. Esta reportagem é sobre a carreira de um jovem cavaleiro tauromáquico português na Califórnia. Sim, há touradas na Califórnia. Corridas de touros à portuguesa, organizadas por portugueses, com tudo aquilo a que têm direito, lide a cavalo e pegas, cavaleiros e forcados, mas com uma diferença fundamental - não há sangue na arena. Chamam-lhe bloodless bullfight, existem desde os anos 1970/1980, e esse foi um dos truques da comunidade portuguesa na costa oeste dos Estados Unidos para manter uma parte importante das suas tradições. O outro truque, ou neste caso uma imposição do legislador, obriga a que as touradas nunca aconteçam como espetáculos isolados, mas antes como parte de um qualquer evento religioso.

Mas como é que não há sangue na arena? A palavra-chave é: velcro. O sistema de fixação inventado por um engenheiro suíço no final dos anos 1940 foi a solução para contornar a legislação, rígida, e o lóbi de defesa dos direitos dos animais, muito ativo na Califórnia. Cola-se um grande quadrado de velcro ao cachaço do touro, e nos ferros substitui-se as pontas por um outro pedaço de velcro. Resulta. A emoção e a coreografia mantêm-se e no final podem sempre dizer: "Nenhum animal foi ferido durante o espetáculo."
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10 de abril de 2017

DN - "Juan José Padilla: o Pirata das arenas que diz estar nas mãos de Deus"

Juan José Padilla posa na arena do Campo Pequeno
REINALDO RODRIGUES/GLOBAL IMAGENS
É um dos toureiros mais conhecidos do mundo. Já foi operado umas 20 vezes, perdeu um olho e tem 50% de audição

"O sofrimento é a outra face da glória." Esta frase pode ter muitos significados, mas sendo a divisa de Juan José Padilla ganha uma dimensão que justifica a fama mundial que o toureiro espanhol tem numa profissão em que surge como um dos seus grandes nomes.

Padilla, que na quinta-feira foi uma das estrelas da noite na abertura da temporada na Praça do Campo Pequeno, já era reconhecido pelos aficionados de corridas de touros como um dos grandes valores desta arte - para muitos, sendo certo que para outros tantos não passa de uma prática que devia ser proibida em Portugal. Mas a fama deste homem que nasceu a 23 de maio de 1973 em Jerez de La Frontera (Espanha) ganhou uma dimensão planetária quando foi violentamente colhido em outubro de 2011. Nesse dia lidava na praça de Saragoça quando depois de ter espetado duas bandarilhas no touro caiu. O animal espetou-lhe um corno na face arras- tando-o durante breves instantes. Padilla levantou-se, mas rapidamente se percebeu que a colhida era grave, como as imagens que se podem ver em vídeos no YouTube demonstram. Mais tarde esses receios foram confirmados: perdeu o olho esquerdo, ficou com menos 50% de audição no ouvido direito, além de outras lesões.
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24 de fevereiro de 2015

DN - (3de3 Dias) - "O Rabejador de Ouro é dos Forcados de Vila Franca"

Segunda- Feira, 23 de Fevereiro de 2015
O rabejador de ouro é dos forcados de Vila Franca
Fotografia © Jorge Amaral/Globalimagens
Os forcados entram em último na arena, mas são os primeiros para muitos aficionados. Os que verdadeiramente lidam com o toiro mano a mano.
Brincam com ele, chamam-lhe o "Ronaldo dos forcados". É o rabejador de ouro no mundo da tauromaquia e tricampeão, eleito desde que o prémio existe. Não recebe ouro nem milhões, o prémio foi um prato e uma bilha de barro (o de 2014 é entregue em abril). Tem o reconhecimento dos colegas - os forcados são amadores -, tal como o grupo a que pertence: os amadores de Vila Franca de Xira, também eles escolhidos três anos seguidos.

"Votam os forcados e isso é motivo de orgulho", sublinha Carlos Silva, o premiado (na foto com a mulher e o filho). É "profissão que ninguém" quer, mas está habituado. No futebol, era guarda-redes.

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23 de fevereiro de 2015

DN - (2de3 Dias) - "Esperança Branco Só Foi aos Toiros Quando Ouviu Falar da "Soninha""

Domingo, 22 de Fevereiro de 2015
Esperança trata Sónia como se fosse “uma filha”. Ofereceu-lhe santinhos e até lhe leva sandes
Esperança trata Sónia como se fosse “uma filha”. Ofereceu-lhe santinhos e
até lhe leva sandes

Fotografia © Jorge Amaral/Global Imagens

Há aficionados que seguem os cavaleiros pelo país. Em 2014, os espetáculos aumentaram ligeiramente e com mais espectadores.

Esperança Branco, de 69 anos, ouviu falar de Sónia Matias quando a toureira ainda estava no início da carreira. "A menina Soninha ainda tinha poucos cavalos", conta. Nunca tinha ido a uma tourada, mas encantou-se com o que dela lhe contavam. "Fui numa excursão [de Évora, onde mora] para visitar o padre Miguel [Soito, Guarda], ouvi falar da Sónia e pensei: "Não a conheço mas já gosto tanto dela"." E nunca mais perdeu um espetáculo da cavaleira, até há três anos, quando morreu o marido. "Íamos sempre os dois e vou lembrar-me dele. Chegámos a sair de casa de madrugada só para ir ver a Soninha!", explica. Logo no início foi cumprimentar a toureira e levou-lhe santinhos, que gosta de dar a toda a gente. "Gosto de outros, do Sr. Bastinhas, do Rui Salvador, do Rouxinol, da Ana Rita. A eles também lhes dei santinhos, mas com a Soninha é diferente", explica.

Esperança, que mantém a Ervanária que tinha com o marido, conhece a família de Sónia e até chegou a dar boleia à avó para as corridas de toiros.

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DN - (2de3 Dias) - "Mulheres Entram Mas São Poucas as que Ficam"

Domingo, 22 de Fevereiro de 2015
Mulheres entram mas são poucas as que ficam
Fotografia © Jorge Amaral/Globalimagens
Cavaleiras têm aparecido algumas, mas só quatro receberam a alternativa. Sónia Matias foi a primeira profissional. Mesmo assim, havia quem recusasse partilhar o cartel.
Sónia Matias festeja 15 anos de alternativa neste ano. Por uma diferença de 20 dias da companheira de lides Ana Batista, fica na história como a primeira mulher a profissionalizar-se no toureio a cavalo em Portugal. Sem apelido tauromáquico, ainda por cima uma menina de Lisboa, desbravou caminho num mundo de marialvas, houve até quem se tivesse recusado a partilhar cartel com elas. Muitas outras cavaleiras tentaram, embora apenas quatro tenham conseguido a alternativa. Mara Pimenta é agora a revelação, numa mão-cheia de aspirantes à profissão.

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22 de fevereiro de 2015

DN - (1de3 Dias) - "Não Considero que Represente Uma Escola, Tenho Uma Maneira de Ser"

Sábado, 21 de Fevereiro de 2015
As suíças são a imagem de marca que copiou de um maioral de éguas do pai
As suíças são a imagem de marca que copiou de um maioral de éguas do pai
Fotografia © Jorge Amaral/Globalimagens
Entrevista a David Ribeiro Telles. Chamam-lhe o "mestre", distinção pelo que trouxe à tauromaquia - foi forcado e cavaleiro -, e pelo carácter. E em casa é tratado como tal.

O que é a "escola David Ribeiro Telles"?

Não considero que represente uma escola. Tenho é uma maneira de ser e os que me procuram gostam. Toureei durante muitos anos e isso faz que seja conhecido, mas não é escola nenhuma. Podem dizer isso porque a maior parte dos toureiros a quem dei alternativa, 22 no total, passaram por aqui.

Que maneira é essa de tourear?
Respeitar o público e dar tudo o que se é capaz, ter uma entrega total à lide, respeitar o toiro e o cavalo. De resto, não há escola nenhuma.

Quem a refere caracteriza-a por uma forma clássica de tourear, pura, o que é que isso significa?
Diziam que os cavaleiros antigos tinham de tourear ao estribo. Cravar o ferro de alto abaixo na linha do estribo [meio do cavalo]. O toiro não está nem muito à frente nem muito atrás, há um maior risco de o cavalo ser colhido. E há que ser franco com o toiro, tem de se ter o toiro de frente [de caras]. Se possível, sempre a encarar o toiro de frente.

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DN - (1de3 Dias) - "Telles e Bastinhas: Mano a Mano Entre o Clássico e o Popular"

Sábado, 21 de Fevereiro de 2015
Telles e Bastinhas: mano a mano entre o clássico e o popular
Fotografia © Jorge Amaral/Globalimagens
A época oficial começou a 1 de fevereiro com os festivais taurinos, muitos de solidariedade, para testar cavalos e apurar a arte. O DN viu a pré-época, hoje com duas dinastias do toureio a cavalo.

Herdade da Torrinha, em Coruche, catedral dos Ribeiro Telles. Cavalos, toiros e vacas nos campos, cavalariça, picadeiro e tentadero antigos, não falta uma capela. Escola do toureio "clássico" - classificam - visível até nas paredes e objetos. Herdade das Algramassas, Elvas, museu moderno dos Bastinhas. Cavalos e searas, cavalariça, picadeiro e arena com todas as condições, selas, estribos e cabeçadas ordenadas, salão ornamentado com troféus e fotografias. "Popular?" Joaquim não se importa nada.

Doze filhos, 35 netos e um bisneto tem David Ribeiro Telles, que se tornou o primeiro cavaleiro profissional da família, aos 30 anos. Apurou a arte do avô materno, David Luizello Godinho, cavaleiro amador. Num cadeirão de uma das salas da herdade, aquecida à lareira, com o canal por cabo Toros em pano de fundo, aceita falar depois de uma primeira recusa, "por ter pouco a dizer". Mas chamam-lhe mestre e que fez escola. "Não é escola, tenho é uma maneira de ser."
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21 de fevereiro de 2015

DN - Dá Destaque à Tauromaquiadurante 3 Dias

O Diário de Noticias vai de hoje até segunda destacar a tauromaquia em 3 artigos de fundo. Um trabalho jornalístico que teve o contributo da Protoiro.

Por isso pedimos a vossa divulgação e que comprem o jornal para que esta visibilidade da tauromaquia se reflita nas vendas.

A distribuição pelos dias é a seguinte:
Sábado, 21 de Fevereiro, a edição é dedicada às dinastias de cavaleiros tauromáquicos; no domingo, dia 22, será a vez do toureio no feminino; e na segunda-feira, 23 de Fevereiro, o tema será centrado nos forcados e ganaderos.
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