29 de junho de 2017

Parreirita Cigano em Entrevista à Revista Flash!

Parreirita Cigano: "Já nasci toureiro"

"Assim que me lembro de ser gente já queria ser toureiro". Este é o sonho antigo de Parreirita Cigano que agora se torna realidade. Carlos Conceição tira a alternativa esta quinta-feira, 29, na praça do Campo Pequeno, em Lisboa. A história do menino cigano feito toureiro.

"Já nasci toureiro. Assim que me lembro de ser gente já queria ser toureiro e já andava de volta dos cavalos com o meu pai. Sempre quis ser toureiro e cavaleiro." É com estas palavras que Parreirita Cigano, aliás Carlos Conceição, descreve a vontade e o querer de ser cavaleiro tauromáquico. Um sonho que há muito persegue e que está prestes a concretizar-se de forma profissional. Parreirita toureia nesta quinta-feira no Campo Pequeno, a noite da tomada de alternativa, com o cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira como padrinho. "Manuel Jorge de Oliveira tem sido o meu Mestre na equitação e no toureio. Vai ser o meu padrinho de alternativa. Aliás, não fazia sequer sentido ser outro cavaleiro que não o Mestre Manuel Jorge. Tudo o que sei devo-o a ele."
O cavaleiro Parreirita Cigano, toma a alternativa esta quinta-feira, 29, no Campo Pequeno
Tirar a alternativa na monumental de Lisboa é um desejo há muito almejado pelo cavaleiro do Cartaxo. "Devo muito ao Campo Pequeno. Deram-me oportunidades e eu tive a felicidade de as aproveitar. Ali é gente de palavra. Espero que, no futuro, possa continuar a merecer a confiança da empresa. Identifico-me totalmente com a praça de toiros do Campo Pequeno. Desde a primeira vez que aqui toureei, senti uma energia fantástica. A vibração desta praça é algo de indescritível".

Ser filho do matador de toiros Parreirita Cigano foi importante para escolher seguir esta profissão?

Penso que sim, está no sangue, já nasci um bocadinho toureiro.

Lembra-se da primeira vez que viu o seu pai tourear?
Só vi o meu pai tourear três vezes, uma delas eu ainda não era toureiro. Foi em 1997, num festival em Salvaterra de Magos. Lembro-me pouco mas foi muito intenso.

O que significa para si ser toureiro?
É um sentimento. Eu sinto isto de maneira diferente. Quando eu estou a tourear e sinto, as coisas funcionam, quando estou a tourear e não sinto, não funciona. Quando sinto, consigo transmitir esse sentimento às pessoas.

Já disse que não conseguia concentrar-se na escola porque só pensava nas corridas e nos cavalos…
Não era por ser burro, porque os professores falavam com a minha mãe e diziam-lhe que eu era uma pessoa bastante inteligente. Eu é que não queria saber nada da escola. Só queria que as aulas acabassem para ir à procura de um cavalo e poder montar.

E teve tempo para brincar como as outras crianças ou só queria montar sem tempo para mais nada?

Na altura fazia o que queria, não era por obrigação, era por gosto.

Sempre tiveram cavalos em casa?
Sim. E também tive oportunidade de conhecer o senhor Manuel Jorge de Oliveira desde miúdo, com quem estava muitas vezes na quinta em contacto com os cavalos.


E quando é que começou a levar mais a sério isto das corridas de toiros?
Há 8 anos. Tinha 20. Foi quando me empenhei nisto a sério e a fazer isto de manhã à noite. Já montava, fazia muitas temporadas em casa de Manuel Jorge de Oliveira, ia para lá algum tempo, quando tinha tempos livres, e quando decidi em andar para frente e quando surgiu a oportunidade de avançar, não hesitei.

O seu toureio é diferente? O que o diferencia dos restantes cavaleiros?

É um toureio frontal e um pouco diferente do que vemos nas praças hoje em dia. Tento levar emoção às bancadas e arriscar o máximo possível só assim sinto o toureio.

A AUSÊNCIA DO PAI

Apesar do seu pai ter sido matador de toiros não há muita tradição dos toiros entre a comunidade cigana…
É bom. É diferente. Assim o público fica com curiosidade e vai à praça assistir. Parreirita já é um nome antigo. O meu pai foi um grande toureiro na época dele. Por um lado é bom mas por outro tem o peso e acaba por haver comparações. Se eu não for tão bom como ele as pessoas vão comentar... Vamos ver.

E o nome tem aberto algumas portas para fazer parte dos cartéis?

Parreirita Cigano é um nome giro, fica bonito nos cartazes. Chama a atenção das pessoas porque se lembram do meu pai, mas não tem aberto portas nenhumas. Tem sido difícil. Só pelo triunfo é que temos andado para a frente.

Qual foi a corrida que o marcou mais?
Foi uma corrida que toureei com o meu pai há dois anos. Foi uma corrida de emoções muito fortes. O meu pai tinha saído da prisão há pouco tempo. Ele queria muito tourear, nós também queríamos que ele toureasse, de repente surgiu a possibilidade de montar uma corrida mista no Cartaxo com o Rui Salvador, o João Moura e o meu pai. O meu pai estava assim como está agora, não estava nada em forma, foi da noite para o dia. Tourear com uma figura como o meu pai foi, com o Rui Salvador e o João Moura, um enorme prazer e uma grande oportunidade. Tourear com o pai... não há explicação. E ele mostrou estar em forma. Valente como tudo. A vontade que tinha antigamente é a que tem agora.


Esteve muito tempo afastado do seu pai?
Afastado não digo porque falávamos todos os dias e eu visitava-o regularmente, mas foram 13 anos. Quase a minha juventude toda. Tive que me fazer homem por mim. Ajudou-me a ser quem sou hoje.

E agora que ele está de novo mais perto de si. Tem sido importante a passar-lhe alguns ensinamentos?
Sim, sim, claro. O conforto e alguma ajuda. A companhia que é essencial nas praças, vir connosco às corridas. E eu também quero que ele regresse a este meio porque sei que é aqui que ele se sente bem. Na trincheira está sempre toureiro e fica calmo, fica feliz. E é isso que eu quero que ele seja.

A família tem sido fundamental no seu percurso?
Sim, tem sido sempre muito unida. Somos três irmãos homens e três irmãs. Tenho um irmão que trabalha com o cavaleiro Luís Sabino, nos obstáculos, o outro irmão foi oficial no exército. Nós nascemos no Cartaxo, o meu pai é de Coruche. Somos cartaxeiros, terra do bom vinho e também dos toiros. Antigamente havia aqui muitas ganadarias.


Onde espera levar o seu toureio?
Ao máximo. Quero ser como um Ventura, como um Pablo Hermoso, como foi o senhor Manuel Jorge de Oliveira. Quero ser uma figura máxima do toureio.

Tem sido um percurso difícil?
Comecei a tourear há quatro anos, sempre em evolução. Não tem sido fácil, mas sempre a crescer. Pouco investimos e com o trabalho as coisas têm surgido. Nunca pensei ter um camião para os cavalos e o camião apareceu. Não pensava ter o Rio Frio (cavalo) e ele apareceu. Tudo fruto do trabalho.

Parreirita Cigano, cavaleiro tauromáquico, Carlos Conceição
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