23 de fevereiro de 2015

DN - (2de3 Dias) - "Esperança Branco Só Foi aos Toiros Quando Ouviu Falar da "Soninha""

Domingo, 22 de Fevereiro de 2015
Esperança trata Sónia como se fosse “uma filha”. Ofereceu-lhe santinhos e até lhe leva sandes
Esperança trata Sónia como se fosse “uma filha”. Ofereceu-lhe santinhos e
até lhe leva sandes

Fotografia © Jorge Amaral/Global Imagens

Há aficionados que seguem os cavaleiros pelo país. Em 2014, os espetáculos aumentaram ligeiramente e com mais espectadores.

Esperança Branco, de 69 anos, ouviu falar de Sónia Matias quando a toureira ainda estava no início da carreira. "A menina Soninha ainda tinha poucos cavalos", conta. Nunca tinha ido a uma tourada, mas encantou-se com o que dela lhe contavam. "Fui numa excursão [de Évora, onde mora] para visitar o padre Miguel [Soito, Guarda], ouvi falar da Sónia e pensei: "Não a conheço mas já gosto tanto dela"." E nunca mais perdeu um espetáculo da cavaleira, até há três anos, quando morreu o marido. "Íamos sempre os dois e vou lembrar-me dele. Chegámos a sair de casa de madrugada só para ir ver a Soninha!", explica. Logo no início foi cumprimentar a toureira e levou-lhe santinhos, que gosta de dar a toda a gente. "Gosto de outros, do Sr. Bastinhas, do Rui Salvador, do Rouxinol, da Ana Rita. A eles também lhes dei santinhos, mas com a Soninha é diferente", explica.

Esperança, que mantém a Ervanária que tinha com o marido, conhece a família de Sónia e até chegou a dar boleia à avó para as corridas de toiros.


Tem várias T-shirts com a foto da cavaleira para levar às touradas, ao "sol ou à sombra", só dependendo do preço do bilhete. Quando ia levava-lhe "tudo de bom": sacos com laranjas e outra fruta e iguarias, arranjando sempre tudo com o mesmo carinho com que fazia para o filho. "Levava muita coisinha à menina Soninha. É como se fosse uma filha". Ainda não conseguiu fazer o luto do marido, "só pego no carro para ir à aldeia", mas promete: "Vou arranjar forças para ver a Soninha."

Esperança Branco é um exemplo entre os muitos fãs que seguem os toureiros por todo o país. Os que podem sentam-se na barreira, na primeira fila e com os bilhetes mais caros, espalhando-se pela praça e nunca deixando de aplaudir os artistas. Muitas vezes atiram flores, chapéus e até roupas para o meio da arena. Sónia Matias recebe tudo isso e até sabonetes, havia um aficionado que até cuecas lhe atirava.

O número de espetáculos com toiros tem diminuído nos últimos anos, mas subiu ligeiramente em 2014, 250 no total (246 em 2013), 165 (cerca de 66%) dos quais corridas de toiros, segundo a Inspeção-Geral das Atividades Culturais. Pedro Pessoa de Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, garante que a tauromaquia até sofreu menos com a crise do que outros setores: "Comparativamente a outras atividades culturais está muito bem", diz, justificando: "Aumentou o número de espectadores por espetáculo", num total de 454 mil nas praças, 2240 pessoas em média por sessão, mais 95 do que em 2013. Havendo várias praças que esgotaram.


Texto: DN - Diário de Noticias Por: Céu Neves
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